Marca espanhola Edge Brewing aterrissa no mercado brasileiro

O mercado cervejeiro brasileiro é um grande desconhecido na Espanha. E vice-versa. Se te perguntassem para mencionar uma marca artesanal espanhola, viria alguma à sua cabeça rapidamente?

Mas parece que, a passos lentos, a situação está mudando. Já houve algumas colaborações entre os dois países, com destaque para a espanhola Domus, que fabricou cervejas com a Cevada Pura, Bamberg e Dádiva. Essa última também já colaborou com a Bidassoa e a Montseny, enquanto a Perro Libre fez uma collab com a Laugar. Mas, indo além dessas parcerias, quem deu um passo mais firme para entrar em território brasileiro foi a catalã Edge Brewing, que exporta suas cervejas ao nosso país desde abril através da empresa Suds Insanity.

Instalada em Barcelona, mas com DNA americano (já que seus sócios são de lá), a Edge sempre olhou para o exterior. “Desde o início das operações, exportamos nossas cervejas. Em 2014, quando a marca começou, o mercado de cerveja artesanal espanhol não era muito grande e a economia ainda estava lenda depois dos anos de crise. Como resultado, 85% da nossa produção era vendida no exterior”, lembra o sócio Elliott Konig, que menciona o Reino Unido, Suécia, Noruega e Dinamarca como os principais destinos dos seus produtos no início do projeto. Atualmente, o mercado espanhol já responde pela metade das vendas e a exportação é feita a muitos outros países, como Japão, Romênia, Rússia, entre outros.

“Conhecemos a Edge através de pesquisas e mais tarde, em uma viagem a Espanha, fomos conhecer a cervejaria in loco. Queríamos entender a proposta e claro, provar as cervejas. Durante a visita, entendemos que a qualidade das cervejas e o perfil da cervejaria se enquadravam na nossa filosofia. Cervejas arrojadas, com caráter. Era o que buscávamos”, conta o sócio da Suds Insanity Adriano Wozniaki.

Adriano – Suds Insanity

“A partir da visita do Adriano, começamos a falar em levar as cervejas da Edge ao Brasil. Comparado com outros mercados, exportar para o Brasil nos apresentou muitos mais desafios do que estávamos acostumados. Todas as cervejas tinham que ser testadas tanto na Espanha como lá, eles exigiram documentos adicionais e os pallets tinham que ser montados de maneiras específicas para garantir que não haveria problemas para passar na alfândega. Foi mais trabalhoso do que pensávamos, mas tudo saiu bem e estão gostando muito da nossa cerveja lá”, celebra Konig.

Para a importadora, também foi um desafio. A Suds Insanity, que também abriu em 2014, iniciou as operações em 2017 depois de um fase documental lenta e burocrática, e de muitas visitas a feiras e fábricas. A primeira marca que importaram foi Nils Oscar, da Suécia, seguida pela Thornbrige, da Inglaterra; e pela Edge e Great Divide, essa última dos EUA. “A parte burocrática com toda a documentação exigida pelas autoridades brasileiras as vezes estressa um pouco, mas nada que nos fizesse desanimar”.

Conforme Wozniaki, a burocracia, os impostos e o tempo desde a saída do fabricante até a venda ao cliente “acabam influenciando e dificultando o processo. As exigências documentais das autoridades brasileiras não são poucas. A carga tributária é elevadíssima e infelizmente faz com os preços não sejam tão convidativos com gostaríamos que fosse. Por fim, a viagem é o que menos nos preocupa. Mantemos a carga refrigerada desde a coleta até a nossa armazenagem aqui em Curitiba”. 

O primeiro festival da Edge no Brasil foi no Slow Brew, que aconteceu em outubro passado em São Paulo. “A Edge chegou ao Brasil completamente desconhecida, mas devido ao bom trabalho de divulgação da marca, logo ela se tornou desejada. Seus bonitos rótulos auxiliaram bastante neste processo e certamente algumas cervejas se destacaram. A Piña Colada e a Triple Virgin Cherries se tornaram rapidamente as queridinhas do público e a Accidental Jedi esgotou em poucos dias. A estratégia funcionou e estamos muito felizes com o resultado”.

O importador confirma que o público brasileiro, de forma geral, conhecia pouco o mercado cervejeiro espanhol, com a chegada da Edge está mudando o panorama. “O fato de trazermos uma cervejaria arrojada proveniente da Espanha certamente causou estranheza e curiosidade no público brasileiro. Até então não se sabia que na Espanha estavam sendo produzidas cervejas com este perfil. Muita gente comprou a ideia e deu a chance que a Edge precisava para se inserir no mercado. Quem fez isso não se arrependeu. A vinda da Edge ao Brasil tem auxiliado neste processo porém, certamente, ainda há muito a descobrir.” Com os bons resultados da parceria, a Suds Insanity já tem outras marcas espanholas no radar, o que é uma boa notícia para os dois mercados.

Larissa

Jornalista e beer sommelière brasileira morando em Madrid desde 2011.

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