Entrevista com Beatriz Ruiz, da Goose Island Sisterhood

Imagine um projeto cervejeiro criado, liderado, organizado e produzido por mulheres que, como resultado final, destina todo o lucro das cervejas vendidas a organizações focadas no empoderamento feminino. Esse é a Goose Island Sisterhood, uma iniciativa da Beatriz Ruiz, gerente de conhecimento cervejeiro da Ambev, e outras sete mulheres apaixonadas pela bebida.

Foto: Renata Monteiro

A ideia surgiu no início de 2017 com o objetivo de difundir a cultura da cerveja e, de lá pra cá, ganhou muitas adeptas – no grupo do Facebook já são mais de 700. Diferentemente de outras confrarias em que é preciso trabalhar na área, aqui qualquer mulher maior de idade pode participar. “A maior parte das confrarias de cerveja criadas por mulheres reúne somente pessoas que tenham alguma conexão com este universo. A Goose Island Sisterhood, ao contrário, une perfis diferentes, inclusive mulheres que quando entraram no grupo não gostavam de cerveja mas hoje já conseguem apreciar algum dos vários estilos disponíveis no mercado”.

Foto: Renata Monteiro

Os homens também podem participar dos eventos de lançamento e brassagens, mas o grupo no Facebook é exclusivo para elas. “Restringimos a participação deles no grupo do Facebook para criar um espaço em que as mulheres se sintam à vontade para discutir temas diversos”.

Foto: Renata Monteiro

Nesse primeiro ano, elas já produziram quatro cervejas bastante diferentes entre si: Carolina (sour com toque de goiabada), Enedina (double brown ale), Nísia (bière de garde com adição de caju) e Luz (berliner weisse com kiwi). As cervejas são sempre produzidas na Goose Island SP e comercializadas no local em barril.

Foto: Renata Monteiro

Feito por elas, em benefício delas

Cada uma das cervejas da confraria leva o nome de uma mulher importante da história do país, embora muitas vezes pouco conhecida. Um exemplo é a Carolina, “homenagem  à escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, considerada uma das primeiras e mais importantes autoras negras do Brasil. O lucro da venda foi destinado ao coletivo Di Jejê, um espaço para a promoção e produção de conhecimento sobre a mulher negra por meio de cursos, palestras e eventos abertos ao público”, conta Beatriz.

Com tantas integrantes no grupo, é claro que fica inviável a participação de todas em cada um dos passos do processo. A escolha do estilo e dos ingredientes usado fica por conta das especialistas que fazem parte da confraria, “sempre com a orientação de que a cerveja faça alguma referência a mulher homenageada”. “A parte técnica da produção fica a cargo das nossas mestres-cervejeiras que, por serem especialistas, conseguem produzir uma cerveja de acordo com o estilo escolhido”.  

Foto: Renata Monteiro

No dia da brassagem, todas as mulheres são convidadas e podem acompanhar e participar do processo na Goose Island Brewhouse, assim como nos eventos de lançamento e alguns encontros que são organizados esporadicamente. Beatriz também ressalta que o processo tenta ser o mais participativo possível. “A escolha das instituições apoiadas em 2017 foi feita pelas 8 criadoras da Confraria por meio de outras mulheres que eram próximas de cada iniciativa, mas as mulheres do grupo do Facebook são livres para nos indicar outros projetos”.

Com o sucesso deste ano, o caminho natural é o crescimento. “Em 2017 nos reunimos mais para produzir, apenas algumas vezes para trocar idéias, grande parte da confraria foi feita virtualmente. A ideia para 2018 é expandir o projeto, ter cursos, degustação de cervejas e eventos diversos na Goose Island Brewhouse”.

Foto: Renata Monteiro

Aquelas que tiverem interesse em participar da confraria podem solicitar a entrada no grupo do Facebook. E fiquem atentxs, porque a próxima brassagem será no dia 19, quando elas irão produzir uma NEIPA. Mais info aqui.

Larissa

Jornalista e beer sommelière brasileira morando em Madrid desde 2011.

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