Entrevista com Fernando Campoy, da espanhola Cerveza Domus

Em um mercado tão jovem como o da cerveja artesanal na Espanha, quem tem mais de dez anos atuando na área já pode ser considerado um profissional com uma ampla bagagem. Este é o caso do proprietário da marca espanhola Domus, Fernando Campoy. A empresa, da cidade de Toledo, surgiu em 2007, quando havia apenas cerca de 20 cervejarias artesanais no país e o grande público ainda estava bem longe de saber o que elas produziam.

Fernando Campoy

Hoje a história é completamente diferente. “Às vezes fiz alguma diferenciação entre os primeiros que começamos como apaixonados e as primeiras empresas. Porque eu comecei como Dom Quixote da Mancha, muito passional. Eu não era empresário e agora sou porque tenho uma empresa, mas não porque tenha uma formação empresarial e tampouco tinha uma visão empresarial. Graças a essas empresas que começaram com um planos de negócios e à paixão dos que começamos como loucos, o setor está se profissionalizando muito”, celebra Campoy. Para ter uma ideia, em abril o número de cervejarias artesanais no país já superava os 510.

Hoje em dia conta com uma fábrica com capacidade de 180 mil litros/ano em pleno processo de expansão para chegar aos 250 mil litros/ano em 2019. Conta com cinco funcionários internos, além de distribuir as cervejas da marca portuguesa Mean Sardine e começar a exportar suas próprias cervejas.

Domus é prova dessa mudanças. Antes de começar a produzir, Campoy, bioquímico, fez um estudo de mercado, pediu orçamentos de equipamento e descobriu que o investimento necessário era muito mais alto do que ele poderia bancar. Então decidiu desenvolver seu próprio equipamento de produção de cerveja para fabricá-las em uma garagem.

Taproom de Domus

Hoje em dia conta com uma fábrica com capacidade de 180 mil litros/ano em pleno processo de expansão para chegar aos 250 mil litros/ano em 2019. Conta com cinco funcionários internos, além de distribuir as cervejas da marca portuguesa Mean Sardine e começar a exportar suas próprias cervejas.

Taproom

Na fábrica, o cliente também encontra um simpático taproom que pode ser uma ótima opção de passeio para quem visita a bela cidade de Toledo, passagem obrigatória para turistas que vêm à capital espanhola

Estratégia de mercado

Se um dos lemas da cerveja artesanal é “Beba local”, a Domus levou essa regra em a sério. Em Toledo, cidade turística a cerca de 45 minutos de Madrid, as cervejas da marca podem ser encontradas em restaurantes, bares (não só craft) e também em mercados, provando que a cerveja pode chegar ao grande público.

Mas Campoy é claro: não acha que deva focar seu negócio em um perfil ou outro de cliente e para isso desenvolveu uma estratégia de negócio. “Com nossa linha regular de cerveja, nosso objetivo é chegar ao grande público (…) e logo ir apostando por coisas muito arriscadas e inovadoras para este setor mais crítico e que está ávido de novidades”, comenta.

Foi pensando nesse último perfil que Domus lançou neste ano a linha  Grandma’ Serie”, formada por quatro referências single hop, sendo que duas delas, Mosaic e Citra, já foram lançadas. “Mosaic Soup foi a primeira de uma série que vai para esse setor que é interessante e divertido e, de fato, é o que fez crescer a cerveja artesanal na Espanha, porque vai dependendo coisas novas e originais. Este é o sentido da cerveja artesanal em todos os lugares: poder brincar, pode mudar”.

 

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Sopas single esperando compañeros

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Experiência como juiz cervejeiro

Desde 2012, quando foi convidado a participar como juiz do concurso “European Beer Star”, Campoy já esteve em vários festivais como juiz. Desses eventos surgiram várias colaborações e convites para participar em outros, como o Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau.

O mestre cervejeiro da Domus participou das últimas duas edições como juiz do Concurso Brasileiro de Cerveja, que acontece dentro da programação do festival. “O Brasil tem um mercado muito maduro de craft beer, bastante mais potente que o da Espanha e acho que é por dois motivos principais: o tempo, porque funciona há mais tempo que o nosso, e também porque o Brasil é enorme. As microcervejarias daí têm um tamanho e volume de produção muito maiores que as daqui”.

A relação da Domus com o Brasil também se estreitou nesse período. A marca espanhola fez uma colaboração com os paulistas da Cevada Pura, a Belgian Triple Pangea. Aliás, o ex mestre cervejeiro da Cevada Pura e atual mestre da portuguesa Mean Sardine, Daniel Ramiro, vem com frequência à Espanha para produzir na fábrica da Domus e divulgar suas cervejas acompanhado de Campoy. Os dois fizeram uma rota pela Espanha neste ano e a ideia é levar o projeto também a Portugal.

Pangea, de Cevada Pura – Domus

Como se vê, Fernando Campoy segue seu caminho de Dom Quixote desbravando novos terrenos com uma boa dose de otimismo, mas sempre com os pés no chão. “Não sei muito bem como o setor vai acabar. Vai depender muito do que vão fazer as grandes marcas e vai depender também de como o público respondo, mas segue crescendo e cada vez com mais qualidade”. Isso esperamos todos.

Larissa

Jornalista e beer sommelière brasileira morando em Madrid desde 2011.

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