Cervejaria Dádiva leva o sabor do Brasil à Espanha

No Brasil, pouco se sabe sobre o mercado cervejeiro espanhol, ainda pequeno se comparado ao de países vizinhos europeus, mas com um crescimento bastante relevante. Tampouco as cervejas brasileiras são conhecidas no país ibérico, onde os consumidores ainda relacionam muito o nosso país aos produtos industriais. Algumas pequenas iniciativas, no entanto, estão mudando esse cenário e uma das empresas que atuou neste sentido foi a Cervejaria Dádiva, que lançou na Espanha três cervejas colaborativas com marcas locais.


As parcerias com os espanhóis são, na verdade, parte um projeto maior e bastante ambicioso: o 30 dias 10 colabs, que levou o mestre cervejeiro da Dádiva, Victor Marinho,  a vários países. Na Espanha, as colaborações foram feitas com a Domus (Toledo), Montseny (Barcelona) e Bidassoa Basque Brewery (País Basco) no último mês de setembro.

Atravessando a Espanha

As três receitas feitas em território espanhol são de diferentes estilos, mas todas levam frutas. “ A gente gosta muito de utilizar frutas e todas tiveram algum tipo.  Fizemos uma NEIPA com a Montseny com goiaba, essa é uma cerveja bem típica brasileira. Os fornecedores de fruta ainda estão sendo desenvolvidos, ainda não é tão fácil encontrar todas as frutas na Espanha, então quando surge alguma coisa assim, abre os olhos para o mercado inteiro fazer cerveja com fruta”, conta Marinho.

Montseny & Dádiva


Para a Montseny, o saldo da colaboração vai além do produto final. “Não sabia muito do mercado brasileiro, apenas que era um mercado novo e em crescimento. O que mais me surpreendeu por conta da colaboração foi descobrir que o nível das cervejas que estão sendo elaborados era tão alto. Fiquei gratamente surpreso”, celebra o mestre cervejeiro da marca catalã, Jordi Llebaria i Mateu.

A produção da cerveja, de 3.000 litros, foi uma edição especial e a ideia de usar goiaba foi bem recebida pelo catalão. “A goiaba me convenceu desde o princípio, já que era uma fruta pouco trabalhada até o momento e com um perfil muito adaptável para uma IPA. O público cervejeiro está constantemente em busca de novidades, por isso a aceitação foi muito boa”.


Além da colaboração, um ex-funcionário da Dádiva também foi colaborador da Montseny durante alguns meses. “O Victor Camargo esteve três meses conosco, demonstrando um grande conhecimento e paixão pela cerveja”.

Já o resultado da parceria com a Bidassoa e a portuguesa Mom Brewers foi a Scottish Light “Várzea”, uma cerveja “extremamente leve com um toque de sal e com framboesa”, explica Marinho. Foram os portugueses que apresentaram o pessoal da Dádiva à Bidassoa. “Lhes conhecemos através da Mom Bewers, que são quem organizam festivais de cerveja em Portugal como o Artbeerfest e são muito importantes no panorama cervejeira a nível mundial”, lembra Christian Equisoain, da marca basca.

Dádiva & Bidassoa

Já a terceira colab, feita em Toledo, foi um processo bastante interessante, conforme conta Marinho. “Essa cerveja ficou incrível, a gente foi na vinícola, participou da colheita, viu a maceração da uva. A base é uma porter e tem muito drinkability”.

Por enquanto, essas cervejas serão vendidas só na Espanha e em Portugal, mas os espanhóis não descartam uma viagem ao Brasil para fazer uma colaboração na fábrica paulista da Dádiva. “Por questões logísticas é complicado para nós mandarmos a cerveja ao Brasil. A solução é fácil: teremos que ir para lá para fazer uma cerveja. Embora de momento não tenhamos confirmado nada, espero que a ocasião surja em breve”, diz Jordi.

Scottish Light “Várzea”

Sobre sua percepção do mercado espanhol, Marinho diz ter visto uma grande evolução. “Eu fui à Espanha em 2016 e voltei agora no final do ano passado. Quatro anos atrás eu quase não encontrei cerveja artesanal e no ano passado encontrei uma grande quantidade de nível altíssimo. A gente que vê que o movimento está crescendo bastante, mas ainda é um mercado incipiente: as latas e cervejas sem pasteurização ainda são temas um pouco novos no mercado local. Na lata, explode bastante as vendas das IPAs e isso ajuda muito a alavancar o mercado, que é uma coisa que aconteceu há 2, 3 anos no Brasil e vai ajudar bastante o mercado”.

Se os brasileiros não terão, por enquanto, a sorte de provar essas colabs, os espanhóis tampouco podem atualmente comprar as cervejas da Dádiva nas lojas especializadas do país, nem suas seis cervejas de linha, nem suas sazonais – que atualmente são cerca de 40. Embora a Espanha ainda não tenha importação de cervejas brasileiras artesanais de forma regular, os produtos da Dádiva já viajam a outros países. “A gente já exportou para o Paraguai uma vez, para a Holanda uma vez e agora a gente está com uma exportação constante para a Bélgica, para um e-commerce que chama Beergium e eles entregam na Europa toda. Vários amigos de vários países já compraram e receberam nossa cerveja, o volume tem aumentado, mas é uma operação pequena e incipiente”.

Mas Marinho ressalta a importância das colaborações realizadas. “Fazer essas produções na Europa e na Espanha com certeza ajuda a marca a ficar mais conhecida, é legal porque o pessoal quer mais cerveja, convida a gente para participar de festivais, outras colaborativas e isso é super importante para a marca e para a cervejaria como um todo”, celebra.

Larissa

Jornalista e beer sommelière brasileira morando em Madrid desde 2011.

No Comments Yet

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Instagram
Something is wrong.
Instagram token error.