Mahou, maior cervejaria espanhola, abre brewpub no centro de Madrid

É inegável que o crescimento da cerveja artesanal, que cada vez abocanha uma fatia maior do mercado da bebida, vem fazendo com que os grandes grupos se movimentem, seja com a aquisição de marcas craft ou ampliando seu leque de produtos para oferecer algo diferente, já que o consumidor está cada vez mais exigente.

No Brasil, esse cenário já é realidade, mas parece que ainda estamos longe de ver uma Brahma IPA ou uma Skol envelhecida em barril, por exemplo. Já na Espanha, as grandes marcas estão inovando bastante rápido e a maior empresa do setor no país, o grupo cervejeiro Mahou-San Miguel, acaba de abrir no centro de Madrid um brewpub com capacidade total de 10 hectolitros onde se dará ao luxo de provar coisas novas, como é o caso da stout, weiss ou APA presentes na inauguração do bar, chamado “Espacio Cervecero”.

O bar é bastante diferente daqueles que se vê em grande parte da capital espanhola. Nada mais entrar, o cliente encontra o “pequeno laboratório” com tecnologia de ponta capaz de deixar qualquer homebrewer babando.

Para aproximar o consumidor, o brewpub irá oferecer tours guiados, degustações e harmonizações com os pratos do menu, que oferece pratos e tapas típicos espanhóis com uma nova roupagem. A cerveja também está presente nos pratos, como os pães e geleia feitos com a bebida.

Foto: Mahou
Bocata (bao) de calamares

Novos negócios

O “Espacio Cervecero” é a última das novidades da divisão de Novos Negócios, inaugurada em 2014 com o lançamento da coleção Casimiro Mahou, um projeto que naquele momento parecia ambicioso, mas que agora, quatro anos depois, parece um pequeno passo em relação às outras iniciativas da divisão.

No final de 2014, a Mahou adquiriu 30% de participação da americana Founders; menos de dois anos depois, comprou 40% da marca espanhola artesanal Nómada; e no final de 2017 também passou a contar com 30% de participação da também americana Avery.

Com essas aquisições estrangeiras, a Mahou não só passou a distribuir os produtos dessas marcas na Espanha, como também começou a ser reconhecida em mercados estratégicos, como é o caso dos Estados Unidos, onde já comercializa alguns de seus produtos. De fato, atualmente 70% da cerveja espanhola consumida fora do país é do grupo Mahou – San Miguel.

A cervejeira vem provando que está seguindo a cartilha de grandes empresas do setor com atuação global ao efetuar esforços e investimentos na internacionalização e também para fortalecer a presença no setor artesanal, como é o caso do investimento de 11 milhões de euros na construção de um brewhub em Córdoba, onde cervejeiros independentes poderão fabricar sua cerveja.

Em alta velocidade

Não é só do mercado de cerveja artesanal que as grandes marcas espanholas querem abocanhar uma fatia. As cervejeiras também estão de olho no mercado do vinho, bebida bastante consumida especialmente nos restaurantes e relacionada à gastronomia. Para mudar isso, estão apostando forte em produtos que possam ser focados à harmonização.

Foto: Mahou

A grande aposta da Mahou nessa área é a linha Barrica, formada por três rótulos: Original, 12 meses e Bourbon, todas com a mesma receita lager. Durante o evento “Viagem dos Especialistas Cervejeiros Mahou” realizado no último mês de junho, os cinco participantes participamos de diversas atividades, incluindo um jantar harmonizado com a linha Barrica no restaurante StreetXO, do chef Dabiz Muñoz, reconhecido pelo Guia Michelin em seu outro restaurante, DiverXO, também na capital espanhola. No jantar degustação, provamos os 12 pratos acompanhados dos três produtos da gama.

Foto: Mahou

Também visitamos a nova Adega de Barris de Mahou na fábrica de Alovera (Guadalajara), inaugurada em setembro de 2017 com ao redor de 600 barris e que atualmente já conta com 1300 devido à alta demanda do público pelo produto, superando as dúvidas iniciais que havia dentro da própria companhia. “Nossa maior desafio foi convencer as unidades de marketing e negócios de que isso poderia ser interessante para o mercado espanhol, porque ninguém naquele momento sabia sobre cerveja envelhecida em barril”, lembra o chefe de Cultura Cervejeira da marca, Bruno Matínez Falagan, sobre as ideias iniciais do projeto, que surgiram há oito anos. Atualmente, Mahou já pensa em alternativas para ampliar a capacidade de armazenamento dos barris, que requer condições especiais, como a temperatura a 10-12 graus e umidade ao redor de 70%.

Bruno Martínez, de Mahou (Foto: Mahou)

Para a parte prática, especialmente com a limpeza dos barris, Falagan comenta que Mahou teve o suporte de Founders. “Founders nos ajudou muito porque têm uma ampla experiência em envelhecimento em barril. Há que superar alguns pontos e aprender e Founders nos apoiou nisso”.

Durante o evento, Falagan reconheceu que Mahou demorou em lançar novos produtos no mercado. De fato, olhando a linha do tempo de lançamentos vemos longos espaços sem nenhuma novidade. Em 1969, por exemplo, Mahou lançou a lager Cinco Estrellas e só 31 anos depois começou a vender um novo produto, a Mahou SIN (sem álcool). Já na segunda década dos anos 2000, foram vários os lançamentos: Casimiro Mahou, Cinco Estrellas Gluten Free, Maestra Doble Lúpulo, Barrica (Original, 12 meses e Bourbon), Limón, 0,0 tostada e, em maio, Cinco Estrellas Radler. Pelo que se vê, as novidades não vão parar tão cedo.

Larissa

Jornalista e beer sommelière brasileira morando em Madrid desde 2011.

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